• Preexistências
    v. 3 n. 4 (2018)

    Editorial

    Em uma condição de crise com amplitude cada vez maior (energética, ambiental, social, econômica ou mesmo ideológica) - faz-se necessária uma mudança de perspectiva. A ação do arquiteto e urbanista enquanto o propositor da "novidade", aquele que soluciona as questões através da proposição de uma nova ordem morfológica e estética, precisa ser repensada em termos mais abrangentes. A excessiva vontade de originalidade e ineditismo - através de um processo de substituição do existente pelo novo - pode ser repensada incorporando conceitos como transformação, conversão, reutilização, recuperação, regeneração, como possíveis estratégias frente à tal condição contemporânea.

    Por isso, este número da revista Prumo traz para o debate a pertinência de diversas formas de agir pensando a preexistência (em termos arquitetônicos, urbanísticos, paisagísticos, territoriais) como possibilidade de continuidade e não de ruptura, através de ações e reflexões que busquem a transformação e a mudança frente à obsolescência das coisas e sistemas. É necessário enfrentar um embate inevitável: por um lado, as necessidades conservacionistas e patrimoniais, por outro, a aceitação das transformações técnicas, sociais e estéticas como naturais do fluxo temporal. Como consequência, possíveis estratégias de interpretações físicas e simbólicas da preexistência, que não prescindem, logicamente, de fórmulas apriorísticas, mas que se mostram cada vez mais compatíveis com a vitalidade e sustentabilidade das nossas cidades.

    Ainda que com um eixo temático preciso, este número apresenta uma enorme diversidade de interpretações e desdobramentos do mesmo, gerando uma série de artigos com enfoques diversos. Dentro de uma perspectiva teórico-metodológica mais estreita, apresentamos dois artigos: a abordagem das preexistências urbanas sob a ótica de Cesare Brandi trazida por Manoela Rufinoni (USP-SP) e as problematizações entre antigo e novo a partir de Francisco De Gracia e Giovanni Carbonara tratadas por Fabiola do Valle Zonno (UFRJ-RJ). Ainda em um âmbito teórico-metodológico, porém menos específico, apresentamos a abordagem de Alessandro Massarente (Unife-Italia) em que trata as modificações de usos de edifícios preexistentes e sua inserção nas dinâmicas das cidades, principalmente a partir da experiência italiana do século XX.

    Por outro lado, apresentamos alguns exemplos de práticas projetuais que pensam as intervenções sobre preexistência, muitas delas com forte presença simbólica que é potencializada por seus novos usos. O pensamento de João Mendes Ribeiro e Ana Maria Feijão (Portugal) é ilustrado por seis projetos de sua autoria, da mesma forma que o posicionamento de Arturo Franco Díaz, Ana Navarro Bosch e Nuria Salvador Luján (Espanha) é apresentado em três projetos para Matadero Madrid, onde três respostas diversas são dadas a três condições específicas, ainda que dentro do mesmo conjunto.

    Outro grupo de artigos aborda a noção de preexistência com o olhar para objetos específicos, como é o caso de Marta Bogéa (FAU-USP) que analisa o projeto para o Terreiro Candomblé Ilê Axé Oxumarê, situado na cidade de Salvador, tendo em vista a preservação simbólica e cultural; Roberta Krahe Edelweiss, Fábio Bortoli e Carlla Portal Volpatto (UniRitter / Mackenzie-SP) que apresentam o estudo de caso do Museu do Pão e do Caminho dos Moinhos no Rio Grande do Sul; Ivo Giroto (USP-SP) que analisa o Museu de Arte do Rio (MAR) a partir dos diálogos com o patrimônio urbano e edificado e Joana Martins Pereira e Ana Luiza Nobre (PUC-Rio) que abordam o projeto Bairro da Bouça de Alvaro Siza Vieira em seus dois momentos, de implantação e de reabilitação. Maria Laura Ramos Rosenbusch (PUC-Rio) propõe uma análise da obra do escritório francês Lacaton & Vassal através da identificação de suas motivações críticas para o uso da recorrente estratégia de apropriação de preexistências. Ainda com um olhar específico para um objeto, a Catedral Metropolitana da Cidade do México e as ruínas do Templo Mayor, ambas localizadas na praça de Zócalo na Cidade do México, mas através de uma narrativa histórico-ficcional, Tomas Camillis (PUC-Rio) nos faz refletir sobre as preexistências ao articular a narrativa do encontro entre duas personagens históricas: o conquistador espanhol Hernán Cortés e o imperador asteca Montezuma, e de como as suas personalidades se materializaram e resistiram - ou não - à passagem do tempo através de duas obras arquitetônicas.

    Tatiana Terry (PUC-Rio/PROURB-UFRJ) propõe uma ampliação da noção de preexistência, tensionando a exaltação da paisagem do Rio de Janeiro (reconhecida como patrimônio mundial pela UNESCO em 2012) com a presença das favelas e sua exploração enquanto circuito turístico cultural. Também na lógica na produção do espaço público assumindo a escala do território, Pedro Barreto de Moraes (PUC-Rio/PROURB-UFRJ) discute a noção de infraestrutura enquanto suporte ao projeto do território, no caso do Rio de Janeiro, e Luisa Gonçalves (FAU-USP) apresenta a relação entre arquitetura, infraestrutura e metrópole através de estações do metrô de São Paulo implantadas em seu centro histórico, problematizando suas questões físicas e simbólicas. De forma a fomentar ainda o debate apresentamos a tradução de alguns ensaios do designer e pensador italiano Andrea Branzi (integrantes de seu livro “Modernidade enfraquecida e difusa: o universo dos projetos no início do século XXI”, publicado em 2006), que trazem reflexões possíveis sobre o futuro do projeto de objetos e cidades.

    Logicamente estes grupamentos não são estanques e cruzamentos entre as diversas abordagens são possíveis, o que torna este número tão plural e abrangente. Isto nos faz pensar que trabalhar sobre a preexistência, independente do tema e da escala, é uma maneira de reflexão sobre a nossa própria condição contemporânea.

    Ana Paula Polizzo

    Você pode conferir nossa edição no Issuu clicando abaixo:

    Revista Prumo 04

  • Cidades Latino Americanas
    v. 2 n. 3 (2017)

    Editorial 

    O primeiro número da revista PRUMO teve como tema o Rio de Janeiro, colocando em questão algumas das iniciativas públicas e privadas desenvolvidas a partir da escolha da cidade como sede de grandes eventos de porte internacional nos últimos anos. Neste terceiro número, a revista enfoca novamente a cidade.  

    Com o intuito de promover uma discussão mais integradora, o tema se estende a toda América do Sul com a apresentação de artigos que tratam de pontos de vista e escalas de algumas cidades sul-americanas, valorizando suas semelhanças e, também, suas particularidades, no contexto contemporâneo de desenvolvimento urbano. 

    Abrindo este número, se apresenta o livro Ciudades Sudamericanas como Arenas Culturales, através de uma entrevista com Fernanda Arêas Peixoto, organizadora e uma das autoras, e a socióloga Maria Alice Rezende de Carvalho, também autora. Organizado pelo arquiteto Adrián Gorelik e por uma das entrevistadas, a antropóloga Fernanda Arêas Peixoto, o livro propõe diversos olhares sobre a vida cultural urbana em diferentes cidades da América do Sul e discute a cidade como lugar de germinação de tendências artísticas, projetos intelectuais e disputas político-ideológicas.  

    A revista continua com artigos que tratam o desenvolvimento da cidade a partir de outras perspectivas e experiências. 

    O arquiteto Alejandro Echeverri apresenta sua vivência e análise do trabalho desenvolvido nos últimos quinze anos em Medellín, na Colômbia, período no qual a cidade experimentou um processo de transformação urbana e social, principalmente, nas favelas. Essas áreas deixaram de ser lugares marginais para se transformar em pontos de referência de inclusão de inovação urbana. 

    Com um olhar mais específico, também em Medellín, o arquiteto Cauê Capillé observa o projeto de Parques-Biblioteca como parte da agenda política de transformação urbana da cidade, atribuindo à arquitetura a capacidade de funcionar como dispositivo de fortalecimento sócio-político. 

    Continuando com os processos de reforma urbana participativos, o arquiteto Ignácio Lira compartilha o trabalho desenvolvido pela Fundação Mi Parque em Santiago do Chile, que tem como missão criar e reforçar comunidades, por meio da recuperação participativa das áreas verdes nos bairros que mais o necessitam. 

    A partir de Valparaíso, no Chile, o arquiteto Mauricio Puentes apresenta o caso desta cidade portuária observando seu processo de povoamento e morfologia urbana relacionada diretamente à topografia, onde a autoconstrução deu forma à complexa trama urbana que, até hoje, persiste nos relevos da cidade e que não responde a um modelo oficial aplicado. 

    Guilherme Lassance, por sua vez, discute a reinauguração da Praça Mauá, localizada no centro do Rio de Janeiro, analisando criticamente a condição de cidade desigual, ao considerar a intervenção como parte de uma série de ações, que privilegia a área central e os bairros com população de maior renda da Zona Sul e parte da Zona Norte, em detrimento dos subúrbios. 

    Também tratando o tema do desenvolvimento urbano, mas focado na mobilidade, Manuel Herce pontua criticamente algumas das propostas apresentadas para o Rio de Janeiro, e algumas das obras que foram realizadas para atender aos Jogos Olímpicos de 2016.  

    Seguindo a temática do desenvolvimento e planejamento urbano, outro grupo de autores aborda a questão da cidade tendo como ponto de partida, a escala dos usos e apropriações do espaço. 

    Roberta Edelweiss e Mauricio Cabas apresentam o caso de Porto Alegre, a partir de seus processos de transformação, compreendidos como a construção de uma identidade através de ações da sociedade civil, os quais geram valores de memória. Estas caraterísticas são observadas nos eventos efêmeros de apropriação do espaço público. 

    Por sua vez, Adriana Sansão, Joy Till, Aline Couri e o LABIT (Laboratório de Intervenções Temporárias, do Programa de Pós-graduação e Urbanismo da FAU-UFRJ), apresentam uma ação de “urbanismo tático” de reconquista de um espaço esquecido no Rio de Janeiro, questionando o papel do cidadão nas transformações da cidade.  O sítio da intervenção foi a Travessa do Liceu, espaço público relegado no recente processo de transformação da Praça Mauá. 

    Em São Paulo, Marcelo Carnevale discute sobre as novas formas de vizinhança, definidas a partir do cotidiano em que muitas coisas acontecem simultaneamente. Algumas mais explícitas, próprias da megalópole e outras mais sutis, à escala da rua, entre as quais sempre é possível descobrir relações. 

    No Chile, Horacio Torrent nos fala da arquitetura moderna, no período entre 1930 e 1960, e de como ela fez parte de um processo de transformação social e de renovação do país, em que as grandes obras do estado de bem-estar adquiriram um sentido civilizatório e determinaram o processo de concentração urbana. Estabeleceu-se uma tradição moderna que gerou uma legitimidade social em prol de uma vida melhor e que se expandiu pelo país, tanto pela ação pública, como pela privada. 

    Michel Masson apresenta o livro Guerra dos Lugares: A colonização da terra e da moradia na era das finanças, de Raquel Rolnik. Acompanhando este ensaio-resenha, está uma série fotográfica do próprio autor chamada Salve-Salve, realizada no Horto, na cidade do Rio de Janeiro. Hoje afetada pela desapropriação, o Horto é uma das comunidades abordadas no livro por Raquel Rolnik. 

    Finalmente, Marcos Favero, Lucas Di Gioia e Victor Cattete apresentam a tradução do texto Urbanismo Infraestrutural, de Stan Allen, como parte do trabalho desenvolvido no Laboratório de Arquitetura, Infraestrutura e Território (LAIT) do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da PUC-Rio. 

    Você pode conferir nossa edição no Issuu clicando abaixo:

    Revista Prumo 03

  • Ensino para Arquitetura
    v. 2 n. 2 (2017)

    Editorial

    A partir da década de 1960, o campo da Arquitetura se permite contaminar de forma intensa e contínua pela pluralidade contemporânea. Aproximando-se principalmente da Filosofia, da Psicologia e da Linguística, constrói borramentos através dos quais ultrapassa o projeto moderno sem, contudo, abandoná-lo plenamente, buscando definir qual seria o novo lugar que caberia aos arquitetos nas sociedades pós-industriais. Respostas claras não foram alcançadas. No entanto, guiados pelo estabelecimento de um campo teórico muito polifônico — com linhas de pensamento até mesmo contraditórias —, fomos desmontando certezas modernas e abrindo espaço para que novas questões surgissem, mapeando possibilidades, tornando mais complexas as relações entre teoria e prática, sublinhando a necessidade de questionarmos os caminhos abertos desde o iluminismo para a relação homem-natureza, gerando interações inovadoras entre a arquitetura, a sociedade, suas cidades, a tecnologia e o objeto arquitetônico.

    Neste segundo número da Revista PRUMO, propomos questionar como tal pluralidade e complexidade alteraram os processos de formação do arquiteto; como a ausência de certezas e a polifonia perceptível no mundo de hoje constituíram novas práticas nas escolas de Arquitetura. Para tanto, convidamos pesquisadores, professores e jovens arquitetos para falarem sobre suas pesquisas e experiências como docentes, alunos e profissionais do campo da Arquitetura. Como previsto, as abordagens que nos foram oferecidas mostraram-se bastante diversificadas, indo desde descrições breves de metodologias de ensino a inquirições sobre os limites da Arquitetura.

    Correndo o risco de parecer negar a imensa interação e troca entre professores e alunos que conforma um processo educacional eficiente e efetivo, a revista foi dividida em duas seções principais, abrigando, a primeira os artigos de pesquisadores e professores; e a segunda, depoimentos de arquitetos recém-formados. Uma última seção, neste número nomeada como PRUMO Indica, expõe uma resenha crítica.

    Em comum a todos os textos, notamos a tentativa honesta de trazer a complexidade e a multiplicidade contemporâneas para os procedimentos de ensino e a prática profissional. O predomínio das experiências pedagógicas baseadas em variações do que chamamos de ateliê integrado parece sublinhar um entendimento que busca transferir a complexidade contemporânea para a própria estrutura organizacional das aulas de projeto, tornando-a quase que visível para o aluno ao mostrar o projeto como um processo que envolve diferentes saberes e escalas diversas de aproximação. Essas experimentações nos são mostradas de diferentes formas nos textos de Rodrigo Saavedra (PUC Valparaíso - Chile), Juan Rois (UNR - Argentina) e de Mariko Terada (Y-GSA –Japão). Explanação semelhante é feita por Ciro Pirondi (Escola da Cidade – São Paulo), que expõe a imbricação percebida entre a configuração da organização em ateliês multidisciplinares e a crise que a arquitetura e a sociedade brasileira enfrentam. Já Jonas Delecave, jovem pesquisador que investigou a experiência de ensino de John Hejduk na Cooper Union, e Otavio Leonidio (PUC-Rio), analisando o encaminhamento dado aos trabalhos de conclusão de curso de seus orientandos na graduação, transitam igualmente pela ideia de complexidade e rompimento das esferas do saber ao colocar em questão a autonomia do campo arquitetônico, aproximando-o, principalmente, das experimentações artísticas. Concluindo a primeira seção, Reinier de Graff, em tradução de artigo publicado na revista americana Volume, expõe sua visão do lugar singular ocupado pelo arquiteto no campo da produção contemporânea, propondo que esse posicionamento resulta, principalmente, da complexidade percebida no embate entre aprendizado e ensino, teoria e prática, academia e campo de trabalho. Esta complexidade é abordada de forma análoga por Ana Luiza Nobre (PUC-Rio) ao expor a interessante experiência desenvolvida em um workshop capitaneado pelo artista albanês Anri Sala, que propôs uma investigação sonora no edifício do Conjunto Habitacional Marquês de São Vicente, projeto de Affonso Reidy, unindo alunos do Departamento de Arquitetura da PUC-Rio com alunos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

    As falas dos arquitetos recém-formados formam um painel em si mesmo polifônico, que passa pela compreensão do desenho como manifestação de memória e pensamento no texto de Rita D’Aguilar (egressa da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa), pela constatação de Gabriel Kozlowski (egresso da PUC-Rio) sobre a frágil formação em Urbanismo oferecida nos cursos de graduação das universidades brasileiras e que culmina com a significativa convergência na valorização do trabalho em grupos (coletivos), voltado para a comunidade e para modos de produção alternativos, exposta nas narrativas do grupo chileno MADE (egresso da Puc-Valparaíso) e do coletivo paulistano Goma Oficina (egresso da Escola da Cidade).

    Na seção final, PRUMO indica, Michel Masson nos oferece uma resenha sobre o livro Retracing the Expanded Field, que aborda os 30 anos do surgimento da conceituação de campo ampliado, importante instrumento para pensar os limites incertos entre os diferentes campos do saber na contemporaneidade.

    Agradecemos a todos os colaboradores e esperamos que a leitura deste segundo número da revista PRUMO se configure como um incentivo ao questionamento dos modos de ensinar e pensar arquitetura.

    Você pode conferir nossa edição no Issuu clicando abaixo:
    Revista Prumo 02

     

  • prumo_ed_01 2015.pdf O Rio em Obras
    v. 1 n. 1 (2015)

    Apresentação

    O Departamento de Arquitetura e Urbanismo (DAU) da PUC-Rio lança agora a revista  PRUMO cujo primeiro número tem como tema a cidade do Rio de Janeiro. O objetivo desta revista é reunir as reflexões críticas de profissionais de diferentes áreas do conhecimento sobre os desafios e as soluções para a construção de ambientes socialmente justos, economicamente viáveis, ecologicamente responsáveis e com grande qualidade arquitetônica, refletindo, assim, os princípios que estruturam o nosso Programa de Graduação em Arquitetura e Urbanismo. A revista está estruturada em cinco seções: entrevistas, artigos, traduções, projetos e a estante de ideias. Ao longo delas busca-se estimular a reflexão sobre os desafios contemporâneos do projeto de arquitetura e urbanismo e discutir temas muitas vezes polêmicos e sempre de grande impacto sobre a vida cotidiana e o futuro das cidades, tais como a insustentabilidade do modelo de mobilidade urbana e da governança em escala municipal, a inserção global da produção da cidade e a sua comercialização ou a memória acumulada em espaços urbanos e nos edifícios que os constituem. Além disso, a revista promove o debate sobre projetos atuais e oferece para o leitor textos emblemáticos de teoria da arquitetura e urbanismo que, até então, não possuíam tradução para o português. Este número é resultado da dedicação de um grupo de professores do  DAU/PUC-Rio, assim como de autores e colaboradores da revista, com destaque especial à dedicação dos professores Ana Paula Polizzo e Silvio Dias que coordenaram a elaboração desta publicação. Desejo a todos uma ótima leitura.

    Maria Fernanda Campos Lemos
    Diretora do Departameto de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio

     

    Editorial

    Não há dúvidas de que o Rio de Janeiro está em amplo processo de transformação. A cidade tem sido foco das atenções das iniciativas públicas e também privadas, principalmente por sediar grandes eventos de porte internacional nos próximos anos.  Mas, afinal, que tipo de transformação está em curso na cidade? Quais são as condições para que ela efetivamente ocorra? Em busca não necessariamente por respostas concretas, mas pela possibilidade de reflexão através da análise crítica e do debate, o primeiro número da Revista Prumo terá como foco temático estas profundas modificações pelas quais está passando a cidade do Rio de Janeiro, bem como os fatores que têm desencadeado novas articulações sociais e que vêm se concretizando nos projetos em curso na cidade. Neste sentido, entendemos este como sendo um momento chave para nos colocarmos questões relevantes não só para a arquitetura que vem sendo produzida como também para a cidade e para a paisagem que vem sendo remodeladas.

    Iniciamos as discussões com o artigo de Pedro Cláudio Cunca Bocayuva “Rio de Janeiro: modernidade global e intensidade no espetáculo urbano do século XXI” acerca de um possível processo de privatização da cidade juntamente com a criação de grandes imagens no cenário urbano, gerando, por conseguinte a completa fragmentação e desarticulação da cidade.  João Masao Kamita, em “Por uma arquitetura filosófica – Considerações sobre um estado atual da arquitetura carioca” acrescenta dentro desta lógica, um fundamental olhar crítico à produção arquitetônica que vêm se desenvolvendo no Rio de Janeiro. O arquiteto português Nuno Portas traz uma releitura, vinte anos depois, de suas experiências na década de 80 na cidade do Rio de Janeiro com o artigo “Lembranças do Rio – Primeiro as ruas, depois as casas… e não o contrário”, ajudando-nos a refletir sobre a maneira como olhamos para nossas cidades e também para a questão da habitação. Em todo este processo de transformações urbanas, torna-se essencial um olhar para a questão das políticas de mobilidade e a acessibilidade na cidade, trazido por Ricardo Esteves através de “A mobilidade urbana em tempos de acessibilidade olímpica”. Já em “Cidade como problema público. Reflexão sobre o futuro do Rio de Janeiro” Marcelo Baumann Burgos e Maria Alice Rezende de Carvalho trazem à tona a dualidade presente entre os grandes investimentos e a completa falta de participação popular. E por fim, praticamente exemplificando todo este processo, fechamos com o artigo de Leonardo Name “O Maraca é de quem? ”  Sobre novas tecnologias de informação e comunicação. E sobre resistência.

    Apesar deste longo percurso, certamente muitos temas igualmente urgentes ficaram de fora. Nossa intenção é poder abrir as possibilidades de discussão sobre a construção da cidade de forma multidisciplinar. Ainda há muito que refletir.

    Você pode conferir nossa edição no Issuu clicando abaixo.
    Revista Prumo

1 a 4 de 4 itens