A tríplice celebração do casamento em Angola

uma análise das tensões entre tradição, estado e igreja

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.46859/PUCRio.Acad.PqTeo.2595-9409.2026v9n18a02

Palabras clave:

Angola, Casamento consuetudinário, Casamento cristão, Casamento civil, Colonialismo

Resumen

Este artigo fundamenta-se em uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, desenvolvida por meio da análise crítica de obras teológicas, antropológicas, jurídicas e histórico-pastorais que discutem as relações entre o casamento consuetudinário africano, o casamento civil e o casamento cristão. O corpus foi constituído a partir de autores cuja produção se tornou referência nesse debate, com especial atenção às contribuições africanas publicadas desde a segunda metade do século XX, período marcado pela intensificação das reflexões sobre os efeitos da colonização, da evangelização e da institucionalização estatal do matrimônio. A análise adota uma abordagem interdisciplinar e comparativa, buscando compreender como essas diferentes concepções matrimoniais coexistem no contexto angolano e quais tensões jurídicas, culturais, sociais e econômicas decorrem dessa coexistência. Constata-se que a exigência da tríplice celebração — consuetudinária, civil e eclesiástica — como condição para o pleno reconhecimento do matrimônio gera sobreposição de celebrações e fragiliza tanto a legitimidade do casamento tradicional quanto a coerência da concepção cristã de matrimônio. Discutem-se as implicações pastorais e jurídicas dessa imposição, defendendo-se que o reconhecimento do casamento consuetudinário e a inculturação autêntica do matrimônio cristão constituem caminhos complementares para a superação das tensões identificadas, condicionados ao diálogo entre autoridades eclesiásticas, lideranças tradicionais e instituições estatais.

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Publicado

2026-10-28