Fotografia e Transformações da Paisagem: o caso de Copacabana sob o Olhar Geográfico
Resumo
A dimensão visual tem adquirido crescente relevância nas ciências sociais, tanto pelo avanço das tecnologias de informação quanto pelo papel estruturante das imagens na percepção e comunicação de realidades espaciais. Este artigo analisa as transformações da paisagem do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, do século XIX ao XXI, a partir de registros fotográficos históricos, buscando compreender os processos socioespaciais que moldaram esse território. Paralelamente, investiga o potencial da fotografia como ferramenta para o desenvolvimento do olhar geográfico crítico. A metodologia, de natureza qualitativa e interpretativa, fundamenta-se na análise iconográfica de fotografias coletadas em acervos digitais (Brasiliana Fotográfica, Instituto Moreira Salles, Arquivo Nacional), organizadas em dois períodos principais (final do século XIX–meados do XX; meados do XX–atualidade) e examinadas em três níveis: descritivo, interpretativo e contextual. Os resultados revelam que a paisagem de Copacabana é produto de um processo cumulativo e contraditório, marcado por intervenções como a abertura de túneis, a construção e reformas da Avenida Atlântica, a verticalização acelerada, os desmontes de morros, a favelização das encostas e a recente espetacularização via megaeventos. A análise evidencia ainda que as fotografias, ao privilegiarem uma imagem oficial e turística, frequentemente silenciaram a presença das favelas, expondo disputas de visibilidade e poder na construção simbólica do bairro. Conclui-se que as imagens históricas constituem documentos privilegiados para a leitura geográfica, permitindo decifrar as camadas temporais e sociais inscritas na paisagem urbana.
Palavras-chave: fotografia; paisagem urbana; olhar geográfico; Copacabana; transformações socioespaciais
Abstract
The visual dimension has gained increasing relevance in the social sciences, both due to the advancement of information technologies and the structuring role of images in the perception and communication of spatial realities. This article analyzes the transformations of the landscape of Copacabana, a neighborhood in Rio de Janeiro, from the 19th to the 21st century, based on historical photographic records, seeking to understand the socio-spatial processes that shaped this territory. At the same time, it investigates the potential of photography as a tool for developing a critical geographical gaze. The methodology, qualitative and interpretative in nature, is based on the iconographic analysis of photographs collected from digital archives (Brasiliana Fotográfica, Instituto Moreira Salles, Arquivo Nacional), organized into two main periods (late 19th–mid-20th century; mid-20th century–present) and examined at three levels: descriptive, interpretive, and contextual. The results reveal that Copacabana's landscape is the product of a cumulative and contradictory process, marked by interventions such as the opening of tunnels, the construction and renovations of Avenida Atlântica, accelerated verticalization, hill removals, the favelization of hillsides, and recent spectacularization through mega-events. The analysis also shows that photographs, by favoring an official and touristic image, often silenced the presence of favelas, exposing visibility disputes and power relations in the symbolic construction of the neighborhood. It concludes that historical images are privileged documents for geographical reading, allowing the deciphering of temporal and social layers inscribed in the urban landscape.
Keywords: photography; urban landscape; geographical gaze; Copacabana; socio-spatial transformations
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